Grandes autores estão uns passos à nossa frente na caminhada pelo mundo. Dentre eles, há os que deixam pegadas tão sólidas no caminho que os que vêm atrás apenas seguem pela trilha já demarcada.
Enfim, há autores que são como pedras de fundação. Inabaláveis raízes de novos edifícios culturais.
Chaim Nachman Bialik nasceu na Ucrânia em 1873 e morreu em Viena, para onde fora para tratamento médico, em 1934. Bialik é o mais importante poeta hebreu da modernidade.
A obra de Bialik representa o marco transformador e renovador na literatura hebraica moderna. Podemos afirmar que foi a partir de sua escrita que se estruturou o hebraico falado hoje em Israel. Como poeta, além do domínio completo do idioma, soube como ninguém explorar as suas potencialidades expressivas.
Muitos de seus poemas foram musicados e são populares até hoje, particularmente os poemas escritos para crianças. Bialik é considerado o poeta nacional de Israel , tendo a mesma importância de Shakespeare para os países de língua inglesa.
“Todos os eventos de minha vida são como pedaços de som esparramados, de diversos instrumentos. Em cada um deles toca uma melodia separada e, se apesar
de tudo, os sons se fundem em uma melodia, isso não
é senão um milagre do céu”.
O Vaso
Uma flor no vaso
Olha o dia inteiro
Da sua janela
Para o canteiro.
Todas as amigas
Vivem no jardim,
Só ela no vaso,
Solitária assim.
Tradução e adaptação: Tatiana Belinky e Mira Perlov em
Di-Versos Hebraicos – Editora Scipione – 1991
Adoração
Após um dia, após dois, eis que brilha o sol. E os seus raios convergem sobre as folhas cerradas da janela do meu quarto. Espreitam, corados, procurando alguma fresta e quando a encontram, deslizam, entram e olham.
E é como se a notícia de uma festa próxima viesse maciamente bater-me ao coração: “Levante-se, dorminhoco, levante-se. Eis a luz, a plena luz!”
O mundo é novo: Este sol que resplandece, a terra cheia de luz, D’us os criou foi hoje, só hoje. Na brancura de cada parede, no brilho de cada teto, me encharco de alegria e vida e aspiro uma tranqüilidade mansa...
Meu coração se dilata, minha alma se enfeita em festa e convoca para ela o D’us da luz.
Os raios de sol já afogam de luz minha janela. Agora eles estalam o assoalho, assaltam as paredes, Envolvem os desvãos do meu quarto. Deitam na minha cama, inundam tudo de ouro.
Ó D’us, eterno D’us, se por acaso aparecessem no céu mais sete sóis, não teriam saciado ainda a minha alma ávida de luz! Mais luz, ó D’us da luz! Luz! Dá-me mais luz!
Tradução Carlos Ortiz
Ao pássaro
“Saúdo-te em teu retorno, pássaro de encanto das terras cálidas àminha janela. Minha alma ansiou pelo teu canto, quando, no inverno, deixaste a minha casa.”
ENDEREÇO: Rua Simão Álvares - Nº 680 - CEP:05417-020 - Pinheiros - São Paulo - SP - Tel:(11) 3093-0830
Escola Brasileira Israelita Chaim Nachman
Bialik - Desde 1943 Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II e
Ensino Médio